segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Artes, Clarices e microcosmos

O que é arte? É uma forma de se expressar, de se encontrar, de se fazer presente na vida.
Das diversas formas, há quem se encontre na pintura, na musica, na dança, na culinária, na escrita ...
Na coragem de se expor e no exercício de se aceitar, surge a recompensa de partilhar e se conhecer melhor.
Ao reconhecer essa necessidade e no processo de criação, paramos pra entender o que estamos sentindo. Nos descobrimos. A subvida se esvai e a vontade de viver nos rege para a forma própria de ser.
Pensava que arte era algo para pessoas com grande talento intelectual, mas realmente não. Isso é mero preconceito. Arte é para todos. Fazer e apreciar a arte é não ter medo de ser. E sendo, entendemos que não somos resultado dela, somos ela. Fugir, se negar ou não fazer caso dela, é não saber quem somos. É ficar apenas com uma imagem oca. E o que é imagem? É uma imitação, impressão, representação. É algo que se vê, mas sem algo que dê sentido a ela, que nos toque, é só imagem. Não é arte, pois pra ser arte tem que atingir e pra atingir tem que fazer pensar e pensando somos arte.
A curiosidade de um artista se equipara a de um cientista. Porque na saga de questões que nunca cessam, a busca pelas respostas nos move. Atinge, transforma.
Isso tudo porque dia desses, me veio uma súbita vontade de parar de escremensar. Pensei que não poderia ocupar o tempo de meus queridos leitores, ou melhor, amigos, com meus escrimentos. Mas aí, cumprindo seu papel de artista, eis que minha amiga, colega escritora, parceira de divagações e caminhadas, mas, sobretudo amiga, Adelina, me fez entender que não. Ela teve seu momento Clarice e me disse que se eu parasse, pararia também de viver meu mundo. Estaria a mercê do mundo alheio... é, acho que me perderia e já não me reconheceria.
Então caríssimos amigos, obrigada pelo desprendimento do seu tempo para encorajar essa amiga aqui a continuar sendo uma aspirante a artista do meu microcosmo, e principalmente por permitir que ele conflua com o de vocês, estabelecendo um macrocosmo compartilhado que está sempre a nos surpreender com prazerosas mesmices e instigantes novidades.

domingo, 13 de novembro de 2011

Caminhar caminhadas

Infelizmente a vida que nos foi imposta, ao longo de vivências vividas ou mesmo herdadas, fez nos distanciarmos desse ato. Ato esse que deveria ser garantido a todos por lei. Já não caminhamos mais, apenas nos locomovemos de um lugar ao outro.
Não falo das caminhadas em esteiras, academias ou em trajetos delimitados. Essas visam a saúde do corpo e a estética, ajudam, mas não são suficientes. Falo das caminhadas a esmo, passeios, ou mesmo as de destino certo. Pode ser aquelas que você sai pra ir a padaria sem compromisso com o horário e quando dá por si está a admirar o por do sol num belo lugar. Ah! Como esses lugares nos fazem bem! Despertam em nós as boas memórias esquecidas e reavivam intenções almejadas a espera de serem vividas. Como também pode ser aquela de poucos minutos até o destino traçado. O importante é que seja um ato vivenciado e não corrompido pela ansiedade do que está por vir, como escola e trabalho.
Tenho a impressão de que a medida que nossos pés se movimentam, nossa mente chacoalha até chegar ao ponto que as ideias perdidas, desconexas, deformadas são postas no lugar, formadas. Aí paramos. As vezes até sem saber porque, paramos, ali paramos, e nos damos conta que nossa caminhada chegou ao fim porque enfim nossas inquietações cessaram.
E o responsável por esse sentir, foi caminhar a caminhada até lá.
Volto pra casa tão esclarecida que mesmo ao me deparar com a falta de luz encontro tudo no seu devido lugar.