quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Flor de Vó

Dona Ginette
O início difícil de sua vida a fez crescer única...
Era a mais bela planta do jardim... De porte forte, folhagem verde e vistosa... transbordava esperança.
Vivia carregada com intermináveis botões florais que, abrindo um a um, enfeitavam-na, parecendo incessantes sorrisos...
E é essa a imagem que perdurará nas lembranças dos que tiveram o privilégio de conhecê-la ou de vê-la ao menos por uma vez. 


domingo, 11 de novembro de 2012

O meio, ambiente


Nunca entendi o porquê das pessoas se referirem a Natureza, chamando-a de meio-ambiente. Sendo a Natureza um todo, por que denominá-la assim? Até que enfim me caiu a ficha, e então entendi. No início era “meio, ambiente”, palavras usadas como sinônimos para enfatizar o local onde ocorrem os processos naturais. No entanto, após toda a intervenção humana, acabou realmente virando “meio ambiente”.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012


Tinha uma névoa, daquelas que não enxergamos um palmo a nossa frente. Passaram-se meses e ela foi ficando mais densa. Até que por fim começou a se dissipar. Durou o tempo que tinha que ter durado, uma estação. E os raios de luz no auge de sua energia enfim iluminaram tudo. O corpo d’água aumentou seu nível. Esse não transbordou, mas teve seu fluxo mais ativo. Estando o fluxo mais ativo, o que estava embaixo veio pra cima, o que estava em cima foi pra baixo e a coisa mudou de figura. O ciclo atingiu seu clímax e normalmente a vida naquele ambiente prosseguiu.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Acreditando desacreditando


Dinheiro chama dinheiro, conhecimento chama conhecimento... Há exceção, e há também os que lutam para ser exceções.
A interpretação do que a gente lê, ouve e vê depende da nossa vivência.
A minha interpretação da frase inicial é a seguinte: Quem nasce em família rica, de empreendedores ou coisa parecida, geralmente segue nesse patamar e a vida profissional caminha só pra frente. Quem nasce numa família de letrados, geralmente segue essa linha e baseado em sua sede de conhecimento, segue estudando.
As exceções seriam os que nascem em famílias com pouco recurso financeiro e se tornam bem sucedidos nesse quesito e também os que nascem em famílias mais humildes e se tornam detentores de cultura, conhecimento etc.  Digo isso enfatizando a facilidade com que as coisas acontecem para essas pessoas, sem a necessidade da camelação para que se chegue ao êxito, vulgo, boa sorte*.
Já os que lutam, seria a maioria. Os que sabem que tem que ralar pra chegar onde querem e muitas vezes não chegam lá... chegam próximo.
E por que não chegam? Não sei. Algum motivo tem. Fico imaginando que seria pelo fato de não acreditarem tanto, ao mesmo tempo em que não querem desacreditar também.



* Ou quem sabe, excesso de confiança em si, de tal maneira que não fique espaço pra descrença em si.

quarta-feira, 25 de julho de 2012


Quando eu era pequena sentia uma vontade danada de morar na mesma cidade de meus avós e achava o máximo quem podia estar com os seus frequentemente. Sempre achei que os avós tem um papel muito importante na vida da gente. Seja como exemplo de vida mais experiente, seja com excessos de carinhos que eles nos dão, quem os tem, sabe que diferença isso faz. Acontece que a distância geográfica nunca me favoreceu quanto a isso, então eu ficava junto deles apenas nas férias.
Minha Avó por parte de pai e meu Avô por parte de mãe se aposentaram muito cedo dessa vida e por conta disso me restaram apenas umas poucas lembranças. Mas mesmo assim, lembro-me deles com muito carinho e tenho muita satisfação por tê-los conhecido.
Mas por sorte eu ainda tenho uma Vó! E mesmo não morando perto, me sinto muito próxima dela e muito privilegiada por tê-la. Posso dizer que a medida que fui crescendo, fui tendo oportunidade de conhecê-la cada vez mais, fazendo com que minha admiração por ela só aumentasse. E dessa forma a lonjura da quilometragem foi suprimida por essa conexão reforçada ao longo de todos esses anos.
Considero minha Vó um exemplo de mãe, de vó, de amor, fé e sabedoria. E me sinto muito feliz porque no dia 26 de julho poderei dar um abraço bem apertado nela, não apenas porque se comemora o dia dos Avós nessa data, mas também porque nessa mesma data ela completa 90 anos!
Tanto na aparência física como no seu jeitinho de ser, minha Vó é um modelo de Avó. É aquela vó das historinhas, sabe?! Pra você visualizá-la pense numa senhora de cabelos grisalhos com mechas brancas, de bochechas rosadinhas e com um coração e sorriso que abrangem desde a ponta de sua cabeça até os dedos de seus pés. Pra você sentir minha Vó, pense nela cuidando das plantas de seu jardim. Há tanto amor em suas mãos que faz crescer tantas plantas num quadradinho de terra quanto caberiam num jardim botânico. Pense nela cozinhando. Hummm...ja comecei a salivar lembrando de todas as gostosuras que ela faz. Há tanta generosidade no seu coração que sua comida cheirosa e saborosa conseguiria alimentar uma cidade inteira. Pense na sabedoria e no cuidado pra curar o mal estar do corpo. Na fé admirável que serve como exemplo para não nos deixarmos abater pelas dores da vida. Pense numa contadora de histórias que com toda sua doçura e empolgação nos leva a uma viagem no tempo, no momento vivido por ela...
Pois é, a vida frequentemente não é da forma como imaginamos. Mas surpreendentemente muitas vezes ela extrapola nossas expectativas. E posso dizer que no quesito Vó aconteceu isso comigo, Deus me deu a Vó mais querida que um dia eu pude imaginar.
Muito obrigada Dona Ginette por ser essa Vó tão querida e fazer parte de nossas vidas! Desejo que você tenha hoje e sempre dias repletos de felicidade!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Momento Ana Maria Braga vegetal

Para os leigos a fotossíntese é alguma coisa que plantas metidas fazem para se alimentarem, porque as menos bacaninhas absorvem o que está disponível no solo e pronto. 
Para os biólogos e agrônomos a pira já começa no que o próprio termo indica, síntese de substâncias orgânicas pela luz, ou seja, a produção de carboidratos a partir do CO2 e H2O usando energia luminosa.
De maneira beem geral, quando falamos nesse complexo processo, pensamos da seguinte forma: entrada de CO2 através dos estômatos da planta, seguida pela absorção de luz, por conta das clorofilas (pigmentos que absorvem luz nos comprimentos de onda do vermelho e azul e refletem a luz verde). Nessa etapa a energia luminosa promove a quebra da molécula de H2O, (usada para a síntese do carboidrato juntamente com o CO2 e também para a produção de O2) além da importantíssima transformação da luz em energia química, formando ATP (fonte de energia no metabolismo) e NADPH. Essas por fim são usadas para fixar e reduzir o carbono produzindo sacarose e amido (usados pelas plantas para se desenvolverem e se manterem).
Teria bem mais a se dizer, elétrons, receptores, centro de reação, fotossistemas I e II, Rubisco, C3, C4, CAM... mas isso fica pras aulas...senão é bem provável que sua leitura pare por aqui.
Teorias de lado, nada como saber o funcionamento pela própria entidade que sofre o processo. Assim, compartilho com vocês a versão que chegou até mim da fotossíntese contada por uma planta. Não me perguntem como aconteceu. Só digo que ao ler esse relato, me sinto como se estivesse ouvindo um vegetal no seu momento pré-refeição.
 “É de manhã, sinto uma energia invadindo meu ser. A luz, ao atingir meus cloroplastos, faz com que as clorofilas fiquem todas animadas e comecem a emitir uma energia que dará um caldo. Sinto que começará a fabricação da bóia...hummm...
Meus estômatos se abrem como graciosas boquinhas prontas para receber os gases. Falando neles, o de agora é um tanto quanto fedido, ouvi dizer que é cheiro de estômago. Não sei, não conheço pra falar, mas deve estar vindo daquela moça parada bem na minha frente. Mas também nem tem importância, isso mais tarde vai ficar uma delicia.
Nossa, peraí, minhas células tão ficando murchinhas... tô precisando de água! Poxa, já são 9h da manhã, porque essa bafenta num me dá agua?!
Ah! Que bom que ela percebeu...ta vindo aí... glub, glub, glub
Água + gás + sol = rango garantido, daqui a pouco só degustar a comida.
... (piih)
Pronto!
Nossa, que delícia... hoje eu caprichei na receita, vou aproveitar e tratar de armazenar um pouco para uma possível emergência.”

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

É meia xícara? Apenas café.

Sabe aquela velha história entre otimista, pessimista e realista? É, as palavras estão em ordem alfabética para evitar análise sobre mim.
Pois então, cada um defende seu lado. Mas mesmo o pessimista tem um “que” de otimista quando alega que é realista. A questão é que ele alega, não, se alegra.
Mas se você ainda tem dúvida de qual que é, se pergunte, ou apenas lembre do que faz quando vê uma xícara de café pela metade.
O otimista falará que a xícara está meio cheia, o pessimista que está meio vazia. E o realista?
Bom, esse apenas interessado no café, o beberá, e terminado o feito seguirá adiante, porque o intervalo acabou e ainda há muito o que fazer.
Ah! Como eu queria ser realista...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A clareza de Clarice e as falsas fortalezas

Fico admirada como as pessoas podem nos surpreender, seja pelas afinidades como pela falta delas. Quando a surpresa vem pela afinidade, sinto uma descarga de bons fluidos que recarregam meu espírito. E pra tamanha intensidade desse sentir, só posso me referir a afinidades de sustância.
Desse modo por mais uma vez Clarice se fez presente. Sei que é pretencioso de minha parte, mas algo me diz que se eu tivesse tido a boa sorte de conhecê-la, seríamos amigas. Até porque de início não fui com a cara dela e depois a conhecendo aos poucos descobri muito dela em mim ou muito de mim nela, não sei ao certo.
O que me faz pensar que deve ser por isso que algumas vezes de inicio não gostamos de determinada pessoa e depois descobrimos o tamanho do nosso erro, porque vemos nessa pessoa alguma coisa de nós que nos abala, e por algum motivo não queremos assumir. Da mesma maneira há aquelas que gostamos logo de início, e depois também descobrimos o tamanho do nosso erro, porque enxergamos o que gostaríamos de ser nessa outra pessoa, mas que na verdade é algo fútil, enganador, só pra ludibriar nossos conceitos e fugirmos um pouco de nossos defeitos. E é óbvio que tem as pessoas que desde o inicio gostamos e por assim permanece, essas já são aquelas que estão em equilíbrio com nosso espírito, são aquelas que nos deixam a vontade a ponto de assumirmos quem realmente somos.
Reflexões a parte, voltemos a Clarice. Recentemente lendo um de seus desabafos, despertou-se em mim mais uma descoberta. Era algo que sentia, mas que se tornou claro somente quando descobri através dela, tornando-me ainda mais admiradora de seu talento. E assim como ela, eu sempre quis pertencer à vida. Justamente por querer tanto, também me tornei arisca em determinado ponto, de forma a me fazer acreditar que com um pé atrás, sempre teria a vantagem de não me machucar com as quedas.
Mas quando esse pé ao invés de me proteger me faz cair, percebo que me enrosquei na minha própria estratégia e tornei-me refém de minha própria luta. Por sorte, ali parada, noto um feixe de luz e assim como nas plantas, ativa em mim a síntese de energia.
E aquela fraqueza sentida a tal ponto de me tornar arisca se transforma em algo mais aberto e corajoso. Não por inteiro como gostaria, porque em alguns momentos torno a amedrontar os que me rodeiam, fazendo-os se afastarem de mim, e na verdade essa atitude nada mais é que um pedido de socorro mal formulado.
Quando a fraqueza se disfarça, a frágil franqueza dá lugar à uma fortaleza que a qualquer momento é invadida.


Se tiver interesse em ler o texto mencionado acesse o link: 

domingo, 29 de janeiro de 2012

Tempos verbais

Quem é vivo lembra e lembrando o passado além de revivermos, vivemos. Vivemos pelo instante que dura essas memórias momentos bons e ruins, que fazem de nós quem somos e que contribuem para nos edificar quando há o perigo de um revés. O problema desse tempo é quando escolhemos conjugar o Pretérito imperfeito do subjuntivo, “se”, porque o que passou, passou. Sobrevivemos a ele!
Aí vêm as analogias de que tanto gosto. E olhando por esse ângulo, digo que a vida acaba se tornando tão complicada quanto às aulas de conjugações verbais dos tempos de escola. Não entendo porque nos preocupamos tanto com o futuro a ponto de nos atrapalhar a viver o presente. Sei que as preocupações são necessárias assim como as regras gramaticais, servindo para nos corrigir, no entanto os excessos são desnecessários porque nos confundem.
Se ao menos acreditarmos, ou melhor, nos educarmos verdadeiramente que há o jeito certo para cada tempo e verbo (inclusive na vida), nossas vidas também se tornarão mais harmoniosas.
E há jeito! Há até para os verbos irregulares, então há de haver também para a vida. Um jeito fácil ou um jeito difícil, mas que com o passar do uso se torna coerente, e com o passar do tempo, agradável.
A dificuldade e a facilidade de uns e de outros se conjuga, e lado a lado nas colunas, torna tudo parte de uma coisa só. O que nos leva a parar de usar o Futuro do pretérito indicativo e, já no presente, mesmo se “Maria quer que” usemos o Presente do subjuntivo, devemos nos esforçar para fazer mais uso do Presente do indicativo.
Termino aqui fazendo uso de um clichê, renovada ao saber que presente não tem esse nome à toa.