segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Profissões


Nesse exato momento me vem a cabeça lembranças de apresentações de power point com fotos de crianças personificadas por algumas profissões. O bebê com ferramentas, outro de branco usando o estetoscópio como brinquedo, outro com canetas e pranchetas na mão, outro com utensílios de cozinha, outro ..... Enfim, são muitas as profissões que cada um pode seguir ou se imaginar nelas.
Mas o que me ocorreu com essa imagem foi que algumas pessoas desde pequenas, não falam que serão tal coisa apenas por influencia dos adultos que estão a sua volta. Algumas realmente sentem, mesmo não sabendo ao certo o que é próprio da profissão, elas sentem a essência e, vão de encontro a ela.
Quando eu era pequena, de uma forma ou de outra eu já sabia que seria Bióloga, mas precisei me tornar grande para enxergar esses indícios.... ainda bem que o instinto me guiou.
Para aquele que ainda tem duvida de qual profissão seguir, é importante sentir seus instintos e através deles procurar o que o satisfaz. Não que a gente seja o que é típico de nossa profissão, afinal há vida fora do trabalho. Mas para exercermos tal função temos que ter a essência dela nas nossas entranhas.
Veja só... Fazendo uma análise de todas as funções que já quis exercer, vi que todas me levaram a profissão que escolhi. Já quis ser detetive, quando deixava o lado investigativo aflorar para descobrir coisas que uma simples resposta tiraria toda a graça. Já quis ser artista plástica quando me encantava com a natureza e mesmo sabendo que não poderia leva-la para casa, ao menos queria ter uma representação dela perto de mim. Quis ser paleontóloga, quando me via sentada na terra e começava a escavar para descobrir o que já havia passado por ali. Quis também ser veterinária quando passava por um animal ou apenas porque tinha curiosidade de conhecer a todos eles. Quis ser agrônoma, porque o cheiro da terra, o ciclo das plantas, a vida no campo me chamava... O engraçado é que nunca ambicionei ter muito dinheiro, apenas o essencial para uma vida confortável, sem ostentação.
E por fruto do acaso, me tornei Bióloga e hoje enxergo nessa profissão um pouco de tudo o que na infância almejei fazer. Independente de qual área o Biólogo siga, nós sempre sentiremos que devemos respeitar todo o meio natural que está a nossa volta. Seja em qualquer trabalho, sabemos que devemos nos controlar frente aos impulsos materiais que nos cercam, nos consomem e que nos fazem de refém. Que temos um compromisso com a preservação e conservação do ambiente porque uma ação inconsequente, entre outras coisas leva uma espécie a desaparecer e mesmo estando ela do outro lado do planeta, afeta ecossistemas que estão em comunicação por toda a parte, causando um efeito dominó que impede o fluxo de energia de que todos nós dependemos. E tendo esse sentimento de que o trabalho é um intercâmbio, e não uma dominação, do homem com a natureza, sabemos que .... nunca seremos ricos!




quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Flor de Vó

Dona Ginette
O início difícil de sua vida a fez crescer única...
Era a mais bela planta do jardim... De porte forte, folhagem verde e vistosa... transbordava esperança.
Vivia carregada com intermináveis botões florais que, abrindo um a um, enfeitavam-na, parecendo incessantes sorrisos...
E é essa a imagem que perdurará nas lembranças dos que tiveram o privilégio de conhecê-la ou de vê-la ao menos por uma vez. 


domingo, 11 de novembro de 2012

O meio, ambiente


Nunca entendi o porquê das pessoas se referirem a Natureza, chamando-a de meio-ambiente. Sendo a Natureza um todo, por que denominá-la assim? Até que enfim me caiu a ficha, e então entendi. No início era “meio, ambiente”, palavras usadas como sinônimos para enfatizar o local onde ocorrem os processos naturais. No entanto, após toda a intervenção humana, acabou realmente virando “meio ambiente”.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012


Tinha uma névoa, daquelas que não enxergamos um palmo a nossa frente. Passaram-se meses e ela foi ficando mais densa. Até que por fim começou a se dissipar. Durou o tempo que tinha que ter durado, uma estação. E os raios de luz no auge de sua energia enfim iluminaram tudo. O corpo d’água aumentou seu nível. Esse não transbordou, mas teve seu fluxo mais ativo. Estando o fluxo mais ativo, o que estava embaixo veio pra cima, o que estava em cima foi pra baixo e a coisa mudou de figura. O ciclo atingiu seu clímax e normalmente a vida naquele ambiente prosseguiu.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Acreditando desacreditando


Dinheiro chama dinheiro, conhecimento chama conhecimento... Há exceção, e há também os que lutam para ser exceções.
A interpretação do que a gente lê, ouve e vê depende da nossa vivência.
A minha interpretação da frase inicial é a seguinte: Quem nasce em família rica, de empreendedores ou coisa parecida, geralmente segue nesse patamar e a vida profissional caminha só pra frente. Quem nasce numa família de letrados, geralmente segue essa linha e baseado em sua sede de conhecimento, segue estudando.
As exceções seriam os que nascem em famílias com pouco recurso financeiro e se tornam bem sucedidos nesse quesito e também os que nascem em famílias mais humildes e se tornam detentores de cultura, conhecimento etc.  Digo isso enfatizando a facilidade com que as coisas acontecem para essas pessoas, sem a necessidade da camelação para que se chegue ao êxito, vulgo, boa sorte*.
Já os que lutam, seria a maioria. Os que sabem que tem que ralar pra chegar onde querem e muitas vezes não chegam lá... chegam próximo.
E por que não chegam? Não sei. Algum motivo tem. Fico imaginando que seria pelo fato de não acreditarem tanto, ao mesmo tempo em que não querem desacreditar também.



* Ou quem sabe, excesso de confiança em si, de tal maneira que não fique espaço pra descrença em si.

quarta-feira, 25 de julho de 2012


Quando eu era pequena sentia uma vontade danada de morar na mesma cidade de meus avós e achava o máximo quem podia estar com os seus frequentemente. Sempre achei que os avós tem um papel muito importante na vida da gente. Seja como exemplo de vida mais experiente, seja com excessos de carinhos que eles nos dão, quem os tem, sabe que diferença isso faz. Acontece que a distância geográfica nunca me favoreceu quanto a isso, então eu ficava junto deles apenas nas férias.
Minha Avó por parte de pai e meu Avô por parte de mãe se aposentaram muito cedo dessa vida e por conta disso me restaram apenas umas poucas lembranças. Mas mesmo assim, lembro-me deles com muito carinho e tenho muita satisfação por tê-los conhecido.
Mas por sorte eu ainda tenho uma Vó! E mesmo não morando perto, me sinto muito próxima dela e muito privilegiada por tê-la. Posso dizer que a medida que fui crescendo, fui tendo oportunidade de conhecê-la cada vez mais, fazendo com que minha admiração por ela só aumentasse. E dessa forma a lonjura da quilometragem foi suprimida por essa conexão reforçada ao longo de todos esses anos.
Considero minha Vó um exemplo de mãe, de vó, de amor, fé e sabedoria. E me sinto muito feliz porque no dia 26 de julho poderei dar um abraço bem apertado nela, não apenas porque se comemora o dia dos Avós nessa data, mas também porque nessa mesma data ela completa 90 anos!
Tanto na aparência física como no seu jeitinho de ser, minha Vó é um modelo de Avó. É aquela vó das historinhas, sabe?! Pra você visualizá-la pense numa senhora de cabelos grisalhos com mechas brancas, de bochechas rosadinhas e com um coração e sorriso que abrangem desde a ponta de sua cabeça até os dedos de seus pés. Pra você sentir minha Vó, pense nela cuidando das plantas de seu jardim. Há tanto amor em suas mãos que faz crescer tantas plantas num quadradinho de terra quanto caberiam num jardim botânico. Pense nela cozinhando. Hummm...ja comecei a salivar lembrando de todas as gostosuras que ela faz. Há tanta generosidade no seu coração que sua comida cheirosa e saborosa conseguiria alimentar uma cidade inteira. Pense na sabedoria e no cuidado pra curar o mal estar do corpo. Na fé admirável que serve como exemplo para não nos deixarmos abater pelas dores da vida. Pense numa contadora de histórias que com toda sua doçura e empolgação nos leva a uma viagem no tempo, no momento vivido por ela...
Pois é, a vida frequentemente não é da forma como imaginamos. Mas surpreendentemente muitas vezes ela extrapola nossas expectativas. E posso dizer que no quesito Vó aconteceu isso comigo, Deus me deu a Vó mais querida que um dia eu pude imaginar.
Muito obrigada Dona Ginette por ser essa Vó tão querida e fazer parte de nossas vidas! Desejo que você tenha hoje e sempre dias repletos de felicidade!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Momento Ana Maria Braga vegetal

Para os leigos a fotossíntese é alguma coisa que plantas metidas fazem para se alimentarem, porque as menos bacaninhas absorvem o que está disponível no solo e pronto. 
Para os biólogos e agrônomos a pira já começa no que o próprio termo indica, síntese de substâncias orgânicas pela luz, ou seja, a produção de carboidratos a partir do CO2 e H2O usando energia luminosa.
De maneira beem geral, quando falamos nesse complexo processo, pensamos da seguinte forma: entrada de CO2 através dos estômatos da planta, seguida pela absorção de luz, por conta das clorofilas (pigmentos que absorvem luz nos comprimentos de onda do vermelho e azul e refletem a luz verde). Nessa etapa a energia luminosa promove a quebra da molécula de H2O, (usada para a síntese do carboidrato juntamente com o CO2 e também para a produção de O2) além da importantíssima transformação da luz em energia química, formando ATP (fonte de energia no metabolismo) e NADPH. Essas por fim são usadas para fixar e reduzir o carbono produzindo sacarose e amido (usados pelas plantas para se desenvolverem e se manterem).
Teria bem mais a se dizer, elétrons, receptores, centro de reação, fotossistemas I e II, Rubisco, C3, C4, CAM... mas isso fica pras aulas...senão é bem provável que sua leitura pare por aqui.
Teorias de lado, nada como saber o funcionamento pela própria entidade que sofre o processo. Assim, compartilho com vocês a versão que chegou até mim da fotossíntese contada por uma planta. Não me perguntem como aconteceu. Só digo que ao ler esse relato, me sinto como se estivesse ouvindo um vegetal no seu momento pré-refeição.
 “É de manhã, sinto uma energia invadindo meu ser. A luz, ao atingir meus cloroplastos, faz com que as clorofilas fiquem todas animadas e comecem a emitir uma energia que dará um caldo. Sinto que começará a fabricação da bóia...hummm...
Meus estômatos se abrem como graciosas boquinhas prontas para receber os gases. Falando neles, o de agora é um tanto quanto fedido, ouvi dizer que é cheiro de estômago. Não sei, não conheço pra falar, mas deve estar vindo daquela moça parada bem na minha frente. Mas também nem tem importância, isso mais tarde vai ficar uma delicia.
Nossa, peraí, minhas células tão ficando murchinhas... tô precisando de água! Poxa, já são 9h da manhã, porque essa bafenta num me dá agua?!
Ah! Que bom que ela percebeu...ta vindo aí... glub, glub, glub
Água + gás + sol = rango garantido, daqui a pouco só degustar a comida.
... (piih)
Pronto!
Nossa, que delícia... hoje eu caprichei na receita, vou aproveitar e tratar de armazenar um pouco para uma possível emergência.”