“Everybody seems to think I'm lazy/ I don't mind, I think they're crazy/ Running everywhere at such a speed/ Till they find there's no need”
Desde que os ingleses iniciaram a revolução industrial nossos valores de vida mudaram, revolvemos o plácido até torná-lo agitado. De artesãos a operadores de máquinas, passamos a conviver mais com elas que com nós mesmos, absorvendo seu mecanismo de maneira a nos comparar com elas e acreditar que isso é bom.
Reflexo disso tudo, corremos contra o tempo, atarefados, preocupados, sobrecarregados e estressados. Começamos a almejar por mais tempo. Quantos de nós gostaríamos que fosse possível prorrogar as horas do dia, como acontece naqueles jogos de futebol que durante toda a partida só teve enrolação. E finalizado o prazo, tentamos reparar o desleixo. Até que ganhamos esses minutos a mais, mas que de nada servem...E pra que? Pra prolongar um tempo mal aproveitado, prorrogar o desnecessário e nos enganarmos falando que nos matamos por aquilo?!
Só que assim como nos jogos, a prorrogação do dia também acontece. De certa forma a tecnologia também nos trouxe isso através da facilidade, da possibilidade de maximizar o aproveitamento das várias tarefas. Ganhamos tempo. Porém ela igualmente nos trouxe a cobrança de cada vez produzirmos mais e pensar em nós cada vez menos. Encurtando o tempo, perdemos mais tempo.
Então de uns anos pra cá algumas pessoas se deram conta que toda essa correria se tornou nociva e buscaram alternativas pra amenizar tantos atropelos diários. Um italiano fundou o movimento slow food, rebatendo a forma com que os fast-foods lidam com a comida e revelou sua visão mais proveitosa do mundo. Em seguida os japoneses ampliaram esse conceito, e criaram o slow life, espalhando a idéia de vida desacelerada e a reconexão consigo mesmo a todo o resto dos habitantes terrestres.
E o que é mais relevante disso tudo, tanto em relação a comida que é fonte da vida e a vida que se torna reflexo dela na sua totalidade é passar a compreender que tudo é feito de mínimos. Os momentos são os fragmentos de um tempo e são eles que devem ser percebidos. Através deles estaremos maximizando o aproveitamento de nosso tempo. Mas e como fica a produção cientifica frente a tudo isso? Ela nunca cessa e anseia por respostas num ritmo acelerado indo contrário a toda essa calmaria....
Mas que nada, os alemães pensaram nisso e também levantaram a bandeira do caracol, instituíram o slow Science. Eles estão empenhados em espalhar o muco e fazer com que mais pessoas se guiem por ele. Ter mais tempo pra fazer pesquisa e não só inquietação com resultados rápidos para publicação. Só que muitos cientistas tem sido contrários ao slow, falando que isso é coisa de que não produz muito e quer frear quem produz, pra que todos fiquem no mesmo patamar.
Pra mim não é isso. E sim que esses cientistas perceberam que depois de reaprender a viver agora estão reaprendendo também a trabalhar. Poder criar hipóteses e analisar suas consequências sem a pressão da super-produção é fazer ciência com tempo, nada mais coerente, já que assim como o tempo, a ciência com suas descobertas é uma jornada que jamais se esgota e passa a ser relativa sob o ponto de vista de cada um.
“Please don't spoil my day/ I'm miles away/ And after all/ I'm only” slowing
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